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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

O MISTÉRIO DOS MORCEGOS

Mamíferos voadores? Sim eles existem, têm asas mas não põem ovos nem possuem bico.

Os morcegos, esses seres que nos despertam tanto medo quanto curiosidade, pelas suas características únicas e inconfundíveis, têm sido ao longo dos tempos símbolo de tudo que envolve magia, mistério e escuridão, como a época festiva em que nos encontramos, o Halloween.

A sua característica mais emblemática são as suas asas, formadas por uma camada dupla de pele que se estende das laterais do corpo até aos 4 dedos alongados de cada pata anterior. As suas patas e dedos muito longos são na verdade a estrutura das suas asas.

Outra das suas características fundamentais é a ecolocalização que eles utilizam para voarem no escuro, que se caracteriza pela localização à distância de objetos ou animais que possam ser obstáculos ao seu voo através da emissão de vocalizações e o tempo gasto para que estas sejam emitidas, refletirem no alvo e voltarem à fonte sob a forma de eco.

Os morcegos insetívoros usam esta capacidade para detetar presas em pleno voo, os intervalos da sua vocalização vão ficando mais curtos à medida que se aproximam de presas voadoras como borboletas e mosquitos por exemplo.
Existem mais de 900 espécies diferentes de morcegos, entre elas estão os famosos vampiros que se alimentam de sangue e deram origem a um imaginário de estórias sombrias como a lenda do Conde Drácula.

O facto de serem animais que se encontram ativos durante a noite e que necessitam da escuridão das grutas e cavernas para se recolherem durante o dia, confere-lhes um simbolismo de magia e mistério, que é muito diferente dependendo da cultura.

Não é só ambígua a sua fisiologia por ser o único mamífero capaz de voar, mas também existe ambiguidade naquilo que ele representa no mundo ocidental e oriental.

Nas culturas ocidentais o morcego possui uma simbologia negativa e está associado a universos sombrios, à morte e à noite. A imagem do morcego está relacionada ao vampiro, o Príncipe das Trevas, por ser um animal que suga o sangue de outros. Na China o morcego simboliza renascimento, felicidade, sorte e vida longa. O morcego simboliza, por ser um animal noturno, o desafio de atravessar a escuridão, enfrentando as dificuldades, para encontrar o caminho da luz e do bem.

Em Portugal existem perto de 25 espécies diferentes todas protegidas por lei, ao abrigo da Convenção de Berna e Diretiva de habitats. Nas últimas décadas tem-se assistido a um declínio nas populações de morcegos, em particular na Europa. Esta situação ocorre também em Portugal, onde nove espécies têm estatuto de ameaça desfavorável, nomeadamente Criticamente em Perigo, Em Perigo ou Vulnerável .

As suas principais ameaças são a destruição de abrigos, a utilização de pesticidas, a escassez de alimento, a perturbação dos abrigos por visitantes, a colisão com aerogeradores e o atropelamento.

Todos os morcegos que habitam no nosso país são insetívoros, não existem portanto vampiros em Portugal, os únicos que conseguirá ver por aqui são as personagens das lendas sombrias em noite de Halloween.


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Mais vida no dia mundial do Animal

O meu nome é Soda, sou um Golfinho-roaz e venho apresentar-vos a minha cria que já tem 4 meses.

Este é o meu presente para todos os leitores e para todos aqueles que nos queiram visitar a partir de hoje no Jardim Zoológico e contribuir assim para a conservação da minha espécie e de tantas outras que os Zoos ajudam a conservar.

Porque esperei tanto tempo para vos apresentar a minha cria?

Não é de todo fácil o processo de reprodução da minha espécie sob cuidados humanos e mesmo após o nascimento há uma série de fatores que contribuem para a sobrevivência das crias. Agora que o vínculo entre progenitora e cria está estabelecido e que pela observação dos seus comportamentos podemos perceber que está saudável e ativa como se espera de um golfinho de 4 meses, foi chegado o momento de anunciar a todos a sua chegada. Não foi um parto fácil, eu já tenho 42 anos, uma idade considerada avançada para um Golfinho-roaz que vive sob cuidados humanos e para complicar ainda mais a minha cria resolveu nascer de cabeça. Para vocês, seres humanos, seria o ideal, mas para nós Golfinhos o habitual é nascermos de cauda. No topo da cabeça temos o espiráculo, que nos permite respirar à superfície, por isso nascer de cabeça é tão ou mais perigoso para nós como é para os seres humanos nascerem de apresentação pélvica. Mas tudo correu bem e agora amamento a minha cria em exclusivo, aos 6 meses já vai poder iniciar a alimentação sólida em complemento com o meu leite materno que lhe continuarei a dar durante cerca de 18 meses. Não é fantástico! Até já estou a ensiná-la a vocalizar.

Sabiam que o Jardim Zoológico colabora em projetos de conservação dos Oceanos?
 Destacamos a colaboração no Projecto ABRIGOS, uma rede de apoio a mamíferos marinhos que tem como objetivo recuperar e, sempre que possível, reabilitar mamíferos marinhos para posterior reintrodução ao meio natural.
 Colabora ainda com o ICNF e a RNES – Reserva Natural do Estuário do Sado – na realização de um Plano de Ação para a Salvaguarda e Monitorização da população de Golfinho-roaz do Estuário do Sado.

Como forma de assinalar o Dia do Animal, o Jardim Zoológico abre hoje as portas da Casa da Lagoa, um local resguardado, que muitas vezes serve de maternidade para o Golfinho-roaz que aqui habita. Assim ao vir conhecer esta nova família estará a ajudar o Jardim Zoológico na conservação desta espécie tão emblemática do Estuário do Sado.