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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Filme "Nunca desistas"


Associámo-nos com a WEDUC à estreia nacional do filme Nunca Desistas, que retrata uma comunidade do EUA que juntou Pais e Professores por uma melhor educação, tomando controlo de uma escola de forma a proporcionar uma aprendizagem melhor e mais efetiva dos seus alunos, em exibição a partir de dia 7 de Novembro. 
Vamos também promover um debate no próximo dia 30 de Outubro em Lisboa e Porto sob o tema "Nunca desistas: Querer o melhor para os alunos.

http://weduc.com/pg/expages/read/events/nuncadesistas 











ABELHAS... FACTOS E MITOS


As abelhas têm riscas pretas e amarelas em todo o corpo?
Não, algumas abelhas têm o abdómen(1) todo negro.
(1)Os insetos, como as abelhas têm o corpo divido em cabeça, tórax e abdómen. 

Como se distingue uma abelha de uma vespa?
As abelhas têm corpos mais robustos (como se fossem mais gorduchas) enquanto que nas vespas se nota uma cintura muito fina, entre o tórax e o abdómen (daí a expressão “cintura de vespa” quando nos referimos a uma pessoa magra com a cintura pequena).
As abelhas são peludas enquanto que as vespas têm um corpo liso e brilhante.
Para além disso, as abelhas são herbívoras e as vespas são carnívoras.

Distinguimos a abelha-rainha porque tem uma mancha vermelha no tórax?
Não, as manchas nas abelhas-rainhas, que podem ser vermelhas ou de qualquer outra cor, são feitas pelo apicultor. As abelhas-rainhas distinguem-se porque têm quase o dobro do tamanho das operárias.

Só quando morre uma abelha-rainha é que as abelhas-operárias vão à procura de outra?
Não, são as abelhas-operárias que escolhem quando querem ter uma nova rainha e a antiga é “convidada” a sair, podendo levar alguns membros da colónia consigo. A nova abelha-rainha será diferente das operárias porque desde o momento em que é uma larva até ao final da sua vida será alimentada com geleia-real, um alimento exclusivo de rainhas.

O que é um zangão?
É uma abelha macho, maior que as abelhas-operárias, mas sem ferrão. A sua função é acasalar em voo com uma abelha-rainha.
Depois de saírem da colmeia nunca mais poderão voltar: se acasalarem com uma abelha-rainha, morrem depois da missão cumprida; se voltarem à colmeia são mortos pelas operárias porque não conseguiram cumprir a missão.

Quando perde o ferrão a abelha morre?
As operárias têm ferrões que utilizam como arma de defesa. Esses ferrões, quando picam o homem ou outros animais maiores, podem ficar presos e serem arrancados do corpo da abelha fazendo com que ela morra.

O mel é feito com pólen?
Não, o mel é feito a partir do néctar que as abelhas retiram das flores. As abelhas guardam-no numa bolsa dentro do seu corpo e passam-nos a outras abelhas na colmeia. Depois de perder quase toda a água o néctar torna-se espesso e origina o mel que é armazenado nos favos.

Os ursos vão às colmeias para comer o mel?
Os ursos gostam de mel, mas quando atacam as colmeias é, sobretudo, para comerem as larvas das abelhas.

Como é que as abelhas sabem para onde ir?
Algumas operárias partem à procura de um local onde possam recolher néctar ou de um novo local para a colmeia. Quando regressam dançam para as companheiras. A direção da sua dança indica a direção do local, e a velocidade dos seus ziguezagues indica a distância a que se encontram.
Karl von Frisch conseguiu decifrar a dança das abelhas e em 1973 ganhou o prémio Nobel da Medicina/Fisiologia por causa disso.

As abelhas estão a desaparecer?
Existem muitas razões para as abelhas estarem ameaçadas a nível mundial. Várias doenças, a poluição, o aumento da temperatura, os químicos usados na agricultura, animais que as atacam (como as vespas asiáticas que estão agora a invadir Portugal e outros países da Europa), são algumas das causas da morte direta das abelhas adultas ou das suas larvas, que são alimentadas com produtos contaminados. As abelhas domésticas, porque são mais frágeis que as selvagens, enfrentam um risco ainda maior.

O que aconteceria se todas as abelhas do mundo desaparecessem?
As abelhas são responsáveis por polinizar muitas plantas, incluindo muitas árvores de fruto e vegetais importantes para a nossa alimentação. Se elas desaparecessem, muitas dessas plantas não teriam outro inseto que pudesse fazer a sua polinização e não se conseguiriam reproduzir. Portanto, também não iriam produzir frutos. Sem plantas novas a nascer e com a morte das mais velhas, estas espécies desapareceriam do planeta.

Medronho, o fruto apetecível


Ao passeares por uma floresta com vegetação típica da região mediterrânica – sobreiros, azinheiras, ou outros carvalhos – poderás encontrar também medronheiros. Por serem resistentes a Verãos secos, estas plantas estão bem distribuídas no nosso país mas também pela Europa Ocidental e no Noroeste de África.

Também podem tolerar temperaturas baixas, mas crescem preferencialmente em zonas abrigadas porque têm uma floração tardia, ou seja, têm flores por esta altura do ano (outubro a fevereiro). Flores que se dispõem em cachos pendentes e que podem ser polinizadas por abelhas.
Os medronheiros (Arbutus unedo L.) pertencem à família das urzes e chegam a ultrapassar os cinco metros de altura. São classificados como arbustos, não pela altura que atingem, mas porque o seu tronco se começa a ramificar pouco acima do solo.
O tronco é escamoso e armazena reservas na sua base que permitem a esta planta rebentar mesmo depois de ser cortada ou queimada.
A casca da árvore e as suas folhas recortadas eram utilizadas na medicina tradicional (como desinfetante, por exemplo) ou para fazer o tratamento de peles usadas para vestuário.
Melhor conhecida é a utilização dos seus frutos – os medronhos –, que, passado um ano, amadurecem e adquirem uma coloração vermelha-escura. Podem ser comidos ou utilizados para fazer doce.Também as aves parecem gostar deste fruto.A aguardente de medronho, resultado da fermentação alcoólica dos frutos, é outra das utilizações possíveis.
Na verdade, é esta capacidade de fermentação dos frutos maduros, que caem no Outono-Inverno, que vai condicionar a germinação da planta quando chegar a primavera.
Quando passeares pelo campo ficarás impressionado com o branco das flores, o verde-escuro das folhas e o vermelho dos frutos que poderás encontrar na mesma planta ao mesmo tempo!

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

AS FABULOSAS CINCO

As fabulosas cinco nasceram no coberto da noite, iluminadas pelos grandes relâmpagos. O esconderijo escolhido pela mãe conseguia mantê-las abrigadas da chuva intensa que se fazia sentir. Contudo este abrigo não conseguiu esconder o seu nascimento - a família tagarela de pavões tratou de espalhar a mensagem por todo o lado.
No seu refúgio ouviam zurros, bramidos e piados... Ouviam a chuva, o vento e as trovoadas... Mas passaram quase dez dias antes de conseguirem abrir os olhos ao mundo.

Riram-se umas das outras por causa do seu aspeto despenteado. Por muito que a carinhosa mãe as lambesse, a sua juba clara havia de ficar sempre espetada como um ouriço.
À medida que iam crescendo, estas fabulosas cinco chitas, tornavam-se cada vez mais corajosas. Saíam do esconderijo durante o dia para brincarem umas com as outras: às “pintas escondidas”, às “patas velozes” ou ao “apanha a cauda”. A única coisa que não podiam fazer era sair do território da Mãe-Chita.
Certa noite, combinaram que iriam sair às escondidas e explorar o que havia para além do seu território, descobrir onde dormiam os outros animais.
Como era muito medroso, o Neco deixou-se ficar bem aconchegado no seu canto, não queria participar nas aventuras dos seus irmãos. Além disso, a Mãe-Chita tinha um sono leve e ia descobri-los de certeza. Quando ouviu as patinhas pequenas agitadas a altas horas da noite percebeu que os seus pequenotes estavam a tramar alguma coisa.
Tentou segui-los mas a meio caminho eles separaram-se e ela ficou confusa.

A Mia foi descendo pelos caminhos. O frio aumentava e ela sentiu necessidade de procurar guarida. Naquele sítio estava tudo muito escuro e muito quente. Quando os seus olhos se habituaram à escuridão estava a um palmo da boca recheada de dentes do aligátor. Correu assustada até chocar contra algo que não sabia explicar o que era. Só soube que do outro lado estavam uns grandes olhos e uma língua a sair e a entrar de uma boca. De um salto escondeu-se atrás da pedra mais próxima... Mas esta mexeu-se!!!
Gritou até chegar à rua e encontrou à sua espera a Mãe-Chita que a levou para casa.

Entrando naquilo que lhe parecera um templo, o Tito tentou caminhar pé ante pé, mas tinha pouco jeito para bailarino e as suas garras a bater no chão, no silêncio da noite, acordaram os chimpanzés que desataram aos gritos numa enorme algazarra.
Tentou fugir mas deu de caras com o gorila, zangado por ter sido interrompido no seu sono.
Não sabia para onde escapar até que o braço longo do orangotango o tirou daquela confusão e o entregou à Mãe-Chita que o levou para casa.

Sem se aperceber do que tinha acontecido com os seus irmãos, a Leca avançava cautelosamente. Ouvira os pavões dizerem que ali viviam tigres. E ela queria vê-los com os seus próprios olhos. Não que ela não gostasse de ser uma chita, mas os tigres eram os reis dos felinos, grandes e majestosos, e muito fortes. Tinha chegado ao sítio que os pavões lhe indicaram e decidiu subir a um sobreiro ali perto para poder observar sem ser observada.
Os dois tigres passeavam juntos, lentamente, paravam, lambiam-se, deitavam-se, caminhavam novamente. “Devem ser namorados!”, exclamou baixinho. Mas a kokaburra ouviu e riu-se do seu comentário. Com o susto caiu ao chão e as araras acordaram num grande alvoroço.
Foi um instante enquanto a Mãe-Chita chegou e a levou para casa.

Enquanto isto, o Jac tinha-se afastado mais do que os outros e estava tão cansado que só lhe apetecia dormir.
O dia já estava a nascer e a Mãe-Chita estava muito preocupada por ainda não ter encontrado a sua cria.
Quando Jac acordou tinha uns quantos pares de olhos espantados à sua volta.
“Quem és tu?”, perguntou o nandu.
“O que te traz?”, perguntou o goraz.
“Porque me olhas assim?”, perguntou o guaxinim.
Chegou o grifo com um ar mal humorado, pegou na chita com as fortes patas, levantou vôo e levou-o para casa.

Com as suas crias todas reunidas novamente, a Mãe-Chita não sabia se as havia de pôr de castigo ou se havia de rir das aventuras que tinham para contar. Afinal eram estas coisas que as tornariam nas fabulosas cinco chitas guerreiras que deveriam ser.


sábado, 5 de outubro de 2013

Dia Mundial do Professor

Hoje, dia 5 de Outubro é Dia Mundial do Professor e o Centro Pedagógico do Jardim Zoológico promove um dia de atividades gratuitas e exclusivas para professores para apresentar o programa educativo2013-14. Este ano letivo temos algumas novidades!
Os professores podem consolidar o seu programa curricular com um programa gratuito no Jardim Zoológico. O Centro Pedagógico dispõe de uma equipa de educação diversificada e altamente qualificada, oferecendo sessões de aprendizagem únicas para todos os anos escolares. Ligadas ao currículo escolar, o nosso objetivo é oferecer experiências interactivas, utilizando recursos como materiais zoológicos, bio-factos e recursos multimédia. Cada ciclo de escolaridade tem programas educativos adequados aos conteúdos curriculares para um melhor aproveitamento por parte do professor e alunos da sua visita ao Jardim Zoológico.
Todo o programa é concretizado através de atividades diversas, enquanto elemento de ligação entre as escolas e o mundo real, numa perspectiva de contextualização das aprendizagens desenvolvidas na sala de aula – desde encontros com tratadores, a visitas guiadas temáticas ou ainda as novíssimas oficinas zoológicas! Com a nossa equipa técnica, os professores encontram aqui uma ferramenta fundamental para complementarem os currículos escolares, levando os seus alunos numa viagem pela biodiversidade!

O programa educativo do Jardim Zoológico, gratuito para Escolas, é reconhecido pelo Ministério de Educação nas seguintes áreas curriculares:
- Conhecimento do Mundo (educação Pré Escolar);
- Estudo do Meio (1º ciclo do Ensino Básico);
- Ciências da Natureza (2º ciclo do Ensino Básico);
- Ciências Naturais (3º ciclo do Ensino Básico);

- Biologia e Geologia (10º e 11º ano do Ensino Secundário)


Quando eu for grande...

Nasci numa aldeia pequena do interior... Pequena e interior aos meus olhos de adulta, porque quando eu era uma criança parecia-me gigante, um mundo inteiro...o meu mundo!
Havia lá poucas crianças, enchíamos apenas uma sala de aulas na escolinha branca, o edifício mais importante da minha aldeia. Aliás, o edifício mais importante do meu mundo.
A minha escola primária!
Claro que brincava com as crianças da minha escola, na hora do recreio, mas fora da escola quem me quisesse encontrar era a pastar as ovelhas, a apanhar bolotas para os porcos ou a ver o crescimento dos girinos na Ribeira Fresca.
Adorava tudo o que tivesse a ver com a Natureza, todos os animais e plantas eram meus amigos, por isso, naturalmente, estudo do meio era a minha disciplina preferida. Mas também gostava muito de contar e ouvir contar histórias, e divertia-me imenso com os problemas de matemática que os meus colegas achavam difíceis. Para mim era um jogo!
Tornei-me uma aluna tão interessada (na verdade, não tinha dificuldades em aprender fosse o que fosse) que dava por mim a ajudar os meus colegas e a ensinar, os velhotes  que frequentavam o café da minha avó, a ler.
Ir para o ciclo foi um grande desafio para mim. O meu pequeno mundo cresceu, teria de ir para a escola da vila. Lá havia muitos mais alunos e professores. E do recreio não vía os meus montes, via casas altas e muitos carros. Tinha saudades da escola da minha aldeia, de ordenhar as vacas e ver os falcões a caçar. Já não me sobrava muito tempo para caminhar pelo campo.
Fui sempre uma aluna dedicada. O meu pai dizia-me: “Tens de estudar para seres alguém na vida”. Eu acedia, mas no fundo pensava: “Eu já sou alguém. Sou a Aurora.”.
Aurora borealis
Foi o meu avô que escolheu o meu nome. Dizia-me muitas vezes que a coisa mais bonita que tinha visto (antes do meu nascimento, claro!) tinha sido uma aurora boreal, quando andava na pesca do bacalhau.
Da escola da vila passei para a escola da cidade. Mas o meu mundo mudou realmente quando deixei a minha aldeia, e todas as maravilhas que esta encerrava, e vim para a universidade na capital.
Não fiz mal, muito pelo contrário, segui o meu sonho, alimentado pelas sábias palavras do meu pai, pelo sorriso compreensivo da minha mãe e pelo apoio incondicional dos meus avós.
Os amigos da minha querida aldeia também vieram estudar para cá. Partilhei casa com alguns deles, cruzava-me esporadicamente com outros na faculdade e com os restantes encontrava-me nos típicos jantares saudosistas do “pessoal lá da terra”.
Completei a minha formação superior com a mesma facilidade com que tinha feito o meu percurso escolar, ansiosa pelo momento em que começaria finalmente a trabalhar.
Programa Educativo ZOO
Na verdade, o meu percurso académico não foi tão simples como apresento. Entrei em Biologia, como já toda a gente esperava. A minha paixão pelo mundo natural esteve sempre presente na minha vida. E segui o percurso científico com afinco até ao seu termo.
Adorei, mas queria mais. Por isso decidi completar a formação de docente para poder ensinar aos alunos todas as deslumbrantes curiosidades científicas que tinha aprendido ao longo da vida.
E para não abandonar a minha veia de cientista participo com os meus alunos em projectos científicos que precisam de voluntários para tratar dados. E é claro que todos os anos levo os meus alunos numa saída de campo aos montes perto da minha aldeia.
Poderia pedir uma vida melhor? Acho que não!

E agora tenho de acabar a conversa porque eles já estão a terminar o teste...

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Um nascimento desejado

Deixei de ouvir o seu coração bater.
E depois de um silêncio que me parecia eterno, os sons invadiram os meus ouvidos. Conseguia ouvir perfeitamente os papagaios-cinzentos a anunciar o meu nascimento.
Macaco-de-brazza
A Mamã incentivou-me a levantar e eu depressa me pus de pé, pois já estava cheio de fome.
Quando achou que eu já tinha comido o suficiente começou a andar e eu não tive outro remédio senão segui-la, ela é que tinha o leitinho que eu tanto desejava.
Caminhámos durante dois dias, nem os macacos-de-brazza conseguiram acompanhar o nosso percurso, mas finalmente encontrámos um refúgio que a Mamã considerou ideal.
Eu tive de ficar muito sossegado, deitado no chão da floresta, enquanto a Mamã se alimentava. Não gostava nada da ideia de ficar com as meias brancas sujas de lama mas não tive outra alternativa.
Durante os meus primeiros dois meses de vida a Mamã nunca tinha horas certas para me dar de mamar. E eu nem defecava, para os predadores, como os leopardos, não darem por mim.
Valeu a pena a espera. Com seis meses e cada vez a precisar menos do leite materno, comecei a ir à escolinha da floresta.
O primeiro dia foi o das apresentações. A professora Maria, um elefante-da-floresta, ia chamando um a um:
-        Okapi Paco!?
-        Presente – respondi animado.
Porém, no final do segundo dia disse à Mamã que não queria lá voltar. Os meus colegas búfalos-da-floresta gozavam com o meu andar. “Onde é que já se viu mexer as duas pernas do mesmo lado para andar?! Ah! Ah! Ah!”, diziam eles com os seus passos a pernas alternadas.
Mas a Mamã disse que não me preocupasse com isso. Era um orgulho sermos parentes próximos das graciosas girafas, e não dos búfalos-da-floresta brutamontes.
Ao terceiro dia as coisas não correram muito melhor. Os pavões-do-congo gozavam comigo. Enquanto um gritava: “Oh Paco, porque tens umas orelhas tão grandes?”, o outro respondia imitando a minha voz: “É para te ouvir melhor!”. E passaram o dia nisto.
Fiquei tão zangado que lhes mostrei a minha língua enorme.
Os macacos-de-beiço-branco baloiçavam-se no meu pescoço e montavam-me como se fosse um cavalo. Até que o Boris, o Bonobo acabou com aquela macacada toda e os meus colegas começaram a respeitar-me.
Com o Bota, o Bongo, foi fácil fazer amizade, fazíamos uma dupla imbatível a jogar às escondidas. Para além de termos uma ótima camuflagem, os nossos colegas confundiam-nos as riscas. Eh! Eh! Eh! Que belos momentos.
Mas nem tudo são maravilhas aqui na floresta de Ituri. Um dia recebemos na escola um gorila-oriental-das-terras-baixas que tinha ficado órfão.
Okapi
Uns animais que de vez em quando invadem e destroem a floresta, chamados humanos, tinham morto toda a sua família.
A professora Maria explicou que eles vão às minas à procura de um mineral chamado tantalite. É usado nas baterias dos telemóveis. Eu nem sequer percebi o que isso era, só sei que tive muita pena do Gorila Gui.
As aulas na escolinha da floresta corriam muito bem, éramos todos bons alunos, e até o Gui se sentia feliz. Mas pouco tempo depois as sitatungas vieram à escola informar que estavam de partida. Alguém tinha construído um muro gigante no rio, e as plantas de que elas se alimentavam tinha todas desaparecido. Dizia-se baixinho que esse muro era coisa dos humanos.
Algumas das aves que passavam pela nossa floresta traziam novidades: os humanos continuavam a destruir a floresta e a caçar animais selvagens. Que tristeza!

Mas curiosamente havia outros humanos que não queriam que isso acontecesse e montaram guarda na nossa pequena floresta para que pudéssemos continuar a viver descansados.

Rebentos de bambu

Se te disser que o bambu é uma planta, talvez não te esteja a dizer nada de novo. Mas e se te disser que pertence à família das gramíneas como o milho ou o arroz?
Podes vê-los com alguma frequência em Portugal, mas apenas como plantas ornamentais, para decoração. Em toda a Europa só existem se forem plantados porque é o único continente onde não crescem espontaneamente.
O seu caule, a que chamamos colmo, pode ser mais fino ou mais grosso, mas não depende só da sua idade, pode depender da sua espécie. Calcula-se que existam mais de 1000 espécies de bambus vivendo numa grande variedade de habitats, de zonas tropicais a temperadas, desde o nível do mar até às altas montanhas.
Os bambus são das plantas com crescimento mais rápido do mundo, algumas chegam a crescer um metro por dia. Há registos de bambus que atingiram 30 m de altura e 20 cm de diâmetro. Mas tudo o que cada caule tem a crescer acontece no seu primeiro ano de vida, depois disso tornar-se-á mais maduro e rijo, mas sem crescer em altura. Dos seus caules subterrâneos, surgirão, a cada ano novos caules e assim se podem espalhar por vastas áreas.
Os bambus são plantas com flor. Ao contrário de muitas plantas que vemos florir todos os anos, os bambus podem ter flores apenas uma vez na vida e, no caso extremo, ao fim de 130 anos, e morrer depois disso, deixando que as novas sementes originem novas plantas.
Os humanos utilizam o bambu na construção, na medicina, na gastronomia, na indústria têxtil e do papel.
Porém, quando pensamos em bambu, que imagem nos vem imediatamente à cabeça? O panda-gigante, embora esta espécie não seja a única que se alimenta de bambu. Temos também o panda-vermelho ou o gorila-das-montanhas, chimpanzés e elefantes, alguns roedores que se alimentam dos seus frutos e uma larva do bambu muito apreciada para consumo humano. E ainda os lémures-bambu de Madagáscar.

No Zoo temos o Lemure-bambu-de-alaotra. Numa próxima oportunidade falamos-te sobre ele.