Follow by Email

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Já ouviste falar em óleo de palma?


Talvez nunca tenhas reparado mas uma grande parte dos produtos que hoje utilizamos na nossa alimentação como é o caso das bolachas, chocolates, margarinas e até nos cosméticos possuem na sua constituição óleo de palma. Mas afinal o que é o óleo de palma? O óleo de palma é um óleo vegetal comestível extraído a partir da polpa dos frutos que crescem em cachos nas palmeiras. Para além disto o óleo de palma é um óleo extremamente rentável face a outros como o óleo de girassol ou de soja pois produz mais frutos por unidade de terreno que qualquer um dos outros. O principal problema relativamente ao óleo de palma é o seu cultivo. Sabias que os maiores produtores de óleo de palma hoje em dia são a Indonésia e a Malásia?
Plantação na Indonésia
 Estes, e outros países do Sudeste asiático têm vindo a converter grandes áreas de floresta tropical para o cultivo das palmeiras, destruindo assim o habitat de inúmeras espécies como é o caso do Orangotango-de-sumatra. A destruição da floresta original força também determinadas comunidades a abandonar as zonas onde anteriormente viviam. Para os orangotangos o problema é não só a perda do seu habitat mas também o facto de este ficar cada vez mais fragmentado. Para além disso muitos orangotangos acabam por perder a vida neste processo.
Sendo a Europa um dos maiores consumidores deste produto, temos o dever de fazer escolhas responsáveis enquanto consumidores! Se todos prestarmos atenção aos produtos que compramos nos supermercados podemos ajudar a diminuir o consumo de óleo de palma e evitar que mais áreas sejam desflorestadas todos os anos nestas zonas do nosso planeta. Existem já alguns produtos certificados que utilizam o chamado “Óleo de palma sustentável”, ou seja, cujo cultivo não pode ser feito em áreas vitais para espécies ameaçadas.
Tudo depende das nossas escolhas! Faz a tua parte!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Conservação e Reintrodução


Como sabes,  o zoo tem hoje três funções principais: A educação, a investigação e a conservação!
Quando pensas em conservação provavelmente pensas também em espécies em perigo de extinção mas já ouviste falar de reintrodução? De uma forma simplificada, podemos dizer que a reintrodução consiste no conjunto de práticas que envolvem a introdução de animais que estavam sob cuidado humano, num determinado habitat, com o objetivo de contribuir para a preservação da espécie.
 Achas que a reintrodução é algo fácil de pôr em prática? Na verdade não é. É um processo complexo e que pode levar bastante tempo. Ainda assim, existem no zoo algumas espécies de animais que são verdadeiros casos de sucesso!
Já ouviste falar de um animal chamado Ádax?  O Ádax é uma espécie de antílope que habita zonas desérticas no norte de África,  em países como Marrocos e Tunísia. São ruminantes e toleram muito bem o calor extremo do deserto e a baixa humidade, podendo passar bastante tempo sem beber água.
Para além disto o Ádax é uma espécie classificada como Criticamente em Perigo pela IUCN, o que significa que está muito próximo de desaparecer da natureza e de se extinguir totalmente. Em algumas zonas onde anteriormente existiam,  estes animais foram desaparecendo devido à caça direta e à competição pelo alimento com o gado doméstico.  A espécie chegou mesmo a desaparecer em algumas zonas de Marrocos.
Graças ao trabalho de conservação e reintrodução feito por parques e zoos como o de Lisboa, que tinham animais desta espécie sob o seu cuidado,  formou-se um grupo de 70 animais que foi enviado para um parque nacional em Marrocos de modo a repovoar novamente essa área. Dez anos depois da reintrodução deste grupo, existiam já 550 animais nessa região!
O Ádax não é  o único animal reintroduzido pelo Jardim Zoológico. Também o Leopardo-da-pérsia e o Órix-da-arábia são casos de sucesso e demonstram a importância que os zoos têm na conservação das espécies hoje em dia. 

Cuidado que pica - Planta do mês


O S. Martinho já lá vai, mas as castanhas ficaram, não fossem elas o fruto mais característico do outono.
Hoje em dia escolhemos esta altura do ano para comer a castanha: crua, assada ou cozida. Também a encontramos nalguns pratos mais requintados, inteira ou em puré. Mas a castanha foi, desde a pré-história, um alimento muito importante na alimentação humana.
Ela é uma semente com bastantes reservas, compostas sobretudo de amido. Aliás, tem muito mais amido que as batatas, e substituía o pão sempre que este escasseava. Pode mesmo ser convertida em farinha.
As castanhas, entre duas a quatro, estão encerradas dentro de um ouriço, o fruto do castanheiro, que lembrando o ouriço-do-mar ou o ouriço-cacheiro está cheio de espinhos afiados que protegem as sementes no seu interior.
Não é uma espécie nativa de Portugal, embora esteja muito presente no norte e centro do país. Poderá ter tido origem na Turquia, mas desde a pré-história que é amplamente cultivada nas regiões temperadas. Forma soutos quando criada em povoamentos abertos para produção de castanha, se os povoamentos tiverem grande densidade de árvores para produção de lenha serão castinçais.
Os castanheiros acima referidos são os europeus – Castanea sativa –, da mesma família dos carvalhos, em oposição ao castanheiro-da-índia (Aesculus hippocastanum), originário dos Balcãs, e da família dos bordos.
O castanheiro-da-índia é plantado em Portugal como ornamental. Os seus frutos também são ouriços, com muito menos espinhos e menos afiados, e as sementes são castanhas, mas estas são tóxicas.
Para distinguir as duas espécies quando não têm frutos usam-se as folhas, ambas serrilhadas: no castanheiro são simples com formato de ferro de lança; no castanheiro-da-índia são digitadas com cinco a nove folíolos ovados.
Sobre o nome científico do castanheiro, facilmente percebemos que Castanea está relacionada com castanha ou castanheiro. Por sua vez, sativa significa cultivada.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Tartaruga-de-pescoço-comprido-de-roti (Chelodina mccordi)

As tartarugas são dos répteis mais antigos do Mundo. Surgiram há cerca de 200 milhões de anos e pouco mudaram desde então. Caracterizam-se pela sua carapaça dura que envolve as partes moles do corpo e que lhes serve de camuflagem e de proteção.
A Tartaruga-de-pescoço-comprido-de-roti, pertence à família Chelidae, a das tartarugas que se distinguem por terem o pescoço muito comprido e por isso o recolherem lateralmente. Esta é uma espécie endémica de uma pequena ilha indonésia, a ilha de Roti. Sem que se encontre ameaçada por predadores naturais, a espécie está no limiar da extinção. 
A diminuição da área das zonas húmidas onde vive é um fator importante para a diminuição da população. No entanto, é a captura desmesurada destes animais que os coloca como uma das espécies de tartarugas mais ameaçadas do Mundo. A Tartaruga-de-pescoço-comprido-de-roti, é vendida ilegalmente no mercado de espécies exóticas alimentando o tráfico internacional de espécies.
Claro é que, a situação extrema que a espécie enfrenta é da responsabilidade do Homem. Quer pela desflorestação e diminuição da precipitação causada pelas alterações climáticas que levam à diminuição do habitat, quer pela caça para o tráfico ilegal.
Manter sob cuidados humanos uma determinada espécie implica inúmeros cuidados e procedimentos específicos. Criar e manter diariamente as condições necessárias dos parâmetros da água, como a temperatura e o ph, é determinante para a sobrevivência e bem-estar desta espécie. O nível de ph alterado pode mesmo levar a patologias sérias e fatais, sendo um ponto crítico do maneio. O maneio diário praticado implica também o reconhecimento individual e a alimentação que é ajustável ao desenvolvimento das pequenas crias. Semanalmente o registo individual fotográfico e de peso é fundamental para um correto acompanhamento do crescimento dos animais e para a avaliação do seu estado geral. Todos os registos são importantes bases de trabalho para a comunidade científica e informações valiosas acerca da espécie.
Atualmente classificada como Criticamente em Perigo pelo UICN, a União Internacional para a Conservação da Natureza, a sua sobrevivência depende de medidas de conservação imediatas e da intervenção urgente de parques e zoos. A manutenção destes animais fora do habitat natural e a sua reprodução irá permitir no futuro, a reintrodução com sucesso na Natureza, no seu habitat de origem.
No Jardim Zoológico, na maternidade do Reptilário, pode visitar estas pequenas crias e enquanto contribui com a sua visita para o fundo de Conservação do Jardim Zoológico e apoia esta e tantas outras espécies na sua luta pela sobrevivência.


Uma Noite das Bruxas horripilante


Seguindo um apelo quase natural, como um instinto que tivesse nascido com eles, um grupo de amigos norte-americanos juntou-se para celebrar o Halloween.
Puma
Liderados pelo Pedro Puma, tinham combinado preparar-se a rigor. Vestiram uns fatos horripilantes, deixaram uma abóbora monstruosa acesa à porta de cada uma das suas casas e foram assustar os vizinhos.
Eles sabiam que em Portugal o costume era ir ao “pão-por-Deus” na manhã seguinte, mas estavam determinados a pedir “doce ou travessura” naquela noite e logo se veria o que lhes acontecia.
Talvez fossem melhor as travessuras, porque os doces fazem mal aos dentes e nenhum tinha a sorte do aligátor, de estar sempre a mudá-los. Assim que lhe cai um dente, nasce-lhe logo outro para o substituir.
Ainda assim, não fossem os vizinhos enchê-los de doces ou outros alimentos, convidaram o pelicano, que até é de outras paragens, para ir com eles. Dá sempre jeito ter uma bolsa elástica por perto nestas ocasiões.
Cada um se ia gabando dos seus fatos e das suas habilidades. Ninguém calava a tartaruga-de-orelhas-vermelhas enquanto tentava imitar o Raphael, dizendo-se invencível com os seus truques de tartaruga-ninja.
Passado o sobressalto, dirigiram-se confiantes para uma zona mais escura e isolada. O bisonte encabeçava o grupo com o seu magnífico disfarce de Frankenstein, uma cabeça enorme com os cornos a fazer de parafusos.
Tinham ouvido falar da Magda e queriam vê-la com os seus próprios olhos. Quando lhe bateram à porta e ela apareceu na penumbra, cabeça calva, pele enrugada e um bico curvado a fazer sons arrepiantes, não esperaram para ver melhor quem seria e puseram-se a correr dali para fora. Magda, o grifo, que estava a dar uma festa em sua casa nem teve tempo para os convidar para entrar.
Pecari
Pipa, o pecari-de-colar, não estava nada satisfeita. Tinha vestido o fato preto de colarinho branco e usava os seus melhores dentes. Estava segura de que seria um vampiro absolutamente assustador. Insistia em visitar o David, o monstro-de-gila. “Não pode meter assim tanto medo!”, pensava. Mas quando ele abriu a porta a bocejar de sono, e ela olhou bem para aquela boca enorme, com uma língua bifurcada do lado de fora, depressa perdeu a coragem e saiu dali em passo acelerado.
David nem percebeu o que aconteceu, tinha-se esquecido que era Noite das Bruxas.
O grupo de amigos seguiu, então, por outro caminho. Tinham de treinar os sons sinistros, se queriam ser realmente aterradores. Mas quando um vulto branco e silencioso sobrevoou as suas cabeças, gritaram: “É um fantasma!”. E correram até já não terem fôlego.
Nelo, a coruja-das-neves, pousou num ramo próximo e riu até lhe doer a barriga. Que belo susto havia pregado àqueles jovens malandros.
Os amigos já estavam fartos daquela brincadeira, queriam tanto amedrontar os vizinhos e quem acabou cheio de medo foram eles.
Voltaram para casa.
No dia seguinte levariam um saquinho de pano para ir ao “pão-por-Deus”. Era mais seguro.