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quinta-feira, 28 de março de 2013

Confusão na Páscoa

O Pedro chegou da escola muito contente, tinha aprendido tantas coisas novas sobre os animais que mal podia esperar que a família estivesse toda reunida para falar com eles sobre isso.
A felicidade aumentou ainda mais quando a mãe lhe contou que tinha uma surpresa para ele. Como adorava surpresas!
Mas ficou muito confuso quando a mãe, ao desvendar a surpresa, lhe disse que o Coelhinho da Páscoa lhe tinha deixado um ovo.
Claro que ele já conhecia o Coelhinho da Páscoa e já tinha, em anos anteriores, comido os ovos de chocolate deixados por ele. Mas também sabia que nenhum animal punha ovos de chocolate. Uns eram gelatinosos, outros tinham casca, uns com cálcio, outros sem, … mas de chocolate, nenhum!
Porém, o que lhe estava mesmo a fazer confusão era a relação entre o coelho e o ovo. Ora, se o coelho é um mamífero e nasce da barriga da mãe, conforme aprendeu hoje na escola, e um ovo com aquele formato só podia ser de uma ave, como é que o Coelhinho da Páscoa se lembrou de começar a trazer ovos aos meninos?
Talvez vivesse numa quinta com umas galinhas e se tivesse lembrado de roubar alguns para oferecer de presente, mas isto não era lá muito bonito para se ensinar aos meninos.
Depois lembrou-se que a professora tinha falado nuns mamíferos que eram ovíparos, que nasciam de ovos, em vez de serem vivíparos como os restantes. Foi a correr ao caderno diário procurar os nomes - ornitorrinco e equidna  - eram realmente muito difíceis para ele os ter decorado à primeira.
Pegou na sua enciclopédia e procurou imagens destes animais, mas ficou um pouco desiludido, não tinham a mínima semelhança com um coelho que pudesse justificar a confusão.
Ao vê-lo tão calado e com aquele ar de quem está intrigado com alguma coisa, a mãe perguntou-lhe o que se passava.
-     Oh mãe, não percebo porque é que é um coelho a trazer os ovos na Páscoa. Isso não faz sentido nenhum!
A mãe sorriu complacente, sabia que havia nele um espírito de cientista nascente, e explicou:
-     É uma tradição antiga, muito anterior ao Cristianismo e à Páscoa, que começou por usar coelhos ou lebres e, mais recentemente, ovos, como símbolos de fertilidade.
Perante a cara cada vez mais confusa do Pedro, a mãe simplificou:
-     Lembras-te dos coelhos da avó, que têm sempre muitos filhotes? Significa que a vida deles vai continuar nos seus filhos, netos, bisnetos, e por aí fora. Como estas festas com os coelhos aconteciam no início da Primavera, e como a Páscoa acontece mais ou menos na mesma altura, os Cristãos juntaram as duas festas numa só.
-     Então e os ovos? - perguntou o Pedro.
-     Primeiro começaram por ser ovos pintados como fazias no infantário, lembras-te? Depois as fábricas de chocolate descobriram que podiam fazer muito dinheiro com os meninos gulosos. - sorriu a mãe.
-     E que bela ideia! - gargalhou o Pedro enquanto comia satisfeito o seu Ovo da Páscoa.
Este Domingo podes vir ao Jardim Zoológico e partir numa aventura em busca dos ovos escondidos!

sexta-feira, 22 de março de 2013

Chegou o André


Olá, eu sou o André Andorinha, e sou novo por aqui.
Bem, mais ou menos novo. Nasci naquele ninho ali ao fundo mas agora mudei de telha para construir um para mim.
Já deves conhecer a minha família, somos inconfundíveis com a nossa cauda em V e os nossos voos rasantes. Há quem nos reconheça pela algazarra que fazemos, às dezenas no mesmo beiral, enquanto transportamos lama e palha para fazer o ninho. Sim, nós somos as andorinhas-dos-beirais.
Nós e as nossas primas, as outras espécies de andorinhas que vêm para Portugal quando o tempo começa a aquecer, trazemos uma mensagem que todos aguardam ansiosamente... A PRIMAVERA CHEGOU!!!!
É uma missão muito importante, e sentimo-nos muito orgulhosos de a desempenhar. Adoramos ver as árvores acenarem-nos com as suas folhas jovens e as flores sorrirem-nos com as suas pétalas coloridas.
Os animais ficam encantados com a promessa de calor, perseguem-se, abraçam-se, enamoram-se. Somos o sinal que as mamãs precisam ouvir para trazerem os seus bebés para os primeiros passeios,  para sentirem a terra sob as patas, escutarem as melodias, ficarem zonzos com os aromas e maravilhados com as cores, e para começarem a provar novos alimentos.
E tu, não estás a ouvir? O que fazes aí sentado? Vem usar os teus sentidos para descobrires o que é a Primavera!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Pai que é Pai…


Assegura a proteção das suas crias. Pai que é pai é paciente. Pai que é pai é brincalhão. Pai que é pai deixa os seus pequenotes pregarem-lhe partidas. Pai que é pai está habituado a que lhe puxem os pelos e lhe deem trinquinhas. Pai que é pai não se importa de levar pequenas cabeçadinhas. Pai que é pai ensina os seus filhotes a comportarem-se. Pai que é pai distribui afetos pelas suas crias. Pai que é pai impõe respeito. Pai que é pai é o herói dos seus filhotes. E o leão-africano é um excelente exemplo de tudo o que faz de um macho adulto, um ótimo pai!
Os Leões são os únicos grandes felinos que vivem em grupos familiares ou clãs. O clã é formado por fêmeas aparentadas (irmãs, primas, filhas e mães), um ou dois machos e as suas crias. Um dos machos do grupo assume a liderança, é o macho dominante. Os grupos podem ser grandes e ir até 30 animais, e por isso há muito trabalho para fazer. Achavas que as leoas é que tinham o trabalho todo? Enganas-te. 
Quando uma fêmea está prestes a ser mãe, retira-se do grupo e só volta passadas 4 a 8 semanas. Nessa altura apresenta os seus filhotes às outras fêmeas do clã, mas sobretudo ao pai, o macho dominante, o líder do grupo. Ele recebe-os tranquilo, e acrescenta às suas tarefas de líder a sua função de pai. Assume inteiramente a sua nova função: protege as suas fêmeas e as crias, permite aos pequenotes uma série de comportamentos importantes para o seu desenvolvimento e sobrevivência, e ainda faz de babysitter se for preciso ficar com as crias enquanto as fêmeas saem para caçar.

Ficaste curioso? Vem ao Jardim Zoológico no dia 19 de Março com o teu Pai e conhece as nossas pequenas e divertidas crias de Leão!

sexta-feira, 8 de março de 2013

Plantas com cheiro


Como sabes existem plantas que têm um cheiro especial, consegues pensar em alguma?
O alecrim, a lavanda, muitas das vezes são usados para o fabrico de perfumes, mas outras há que são usadas na nossa alimentação, para dar mais sabor aos pratos, como o manjericão, a salsa, os coentros, e se pensarem nas pizzas lembras-te logo dos orégãos.
Alecrim
Todas estas ervas são aromáticas e muito utilizadas especialmente nos países que ficam perto do mar mediterrâneo, como Portugal, Espanha, Itália, França, Grécia.
Para além dos perfumes e da culinária, são também usadas para dar cheiro as roupas, quando as pessoas as colocam em saquinhos para dar cheiro dentro do armário, podem também ser usados para o fabrico de medicamentos.
As vezes durante as visitas guiadas os meninos tocam na lavanda para depois sentirem o seu cheiro, usando assim dois sentidos o tacto e o olfacto, alguns meninos dizem que sentem o cheiro a limão.
Se quiseres sentir alguns cheiros mais intensos pede aos teus pais para cheirares as ervas que se costuma ter na cozinha ou então vem ao Jardim Zoológico e procura as plantas com cheiro.

A corrida do Mutum-de-capacete


Apesar da sua plumagem negra parecer uma boa forma de se camuflar no interior das florestas densas nas montanhas dos Andes e Perijá, na Venezuela e Colômbia, o Mutum-de-capacete treina para uma corrida importante – A Fuga à Extinção.
Ao alimentar-se de frutos caídos mostra-se um útil dispersor de sementes no seu habitat, mas a acção do Homem está a colocar a sua existência em risco assim como a das plantas que beneficiam com o seu comportamento.
O macho desta ave, parente das galinhas, conquista a sua fêmea com danças circulares no solo, mas pode fazer os ninhos seis metros acima, numa bifurcação de um ramo. 
Esta espécie está considerada em perigo pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza) devido à destruição, fragmentação e modificação do seu habitat, mas também devido à caça. Nem dentro de parques naturais esta espécie se encontra a salvo. É caçada sobretudo para a alimentação, mas também para o uso do crânio e dos ovos como troféus ou ainda pela crença nas propriedades afrodisíacas do seu capacete.
Na corrida pela conservação, o Mutum-de-capacete está entre as quatro espécies de aves prioritárias da Venezuela.
Não percas esta corrida e vem conhecê-lo no Zoo.

À DESCOBERTA DE BIODIVERSIDADE

Todos os anos há novas espécies que são identificadas pela primeira vez, muitas existirão que não são conhecidas pela comunidade científica, podendo mesmo desaparecer antes de serem descobertas.

Uma das espécies que poderás observar no Jardim Zoológico e que foi descoberta há pouco mais de 100 anos é o Okapi (Okapi johnstoni) – o seu restritivo específico refere-se a  Harry Jonhston , explorador que a identificou pela primeira vez em 1901.
Habita em florestas equatoriais densas com distribuição limitada ao Nordeste e Centro-Leste da República Democrática do Congo, na floresta de Ituri.

Muitas vezes são considerados “primos” das girafas e equivocamente das zebras, efectivamente pertencem à família Giraffidae com a qual partilham algumas semelhanças, a língua longa com 40 cm e preênsil, as orelhas longas, os cornos que  apenas os machos possuem.

Embora o seu regime alimentar não seja totalmente conhecido sabemos que são herbívoros. Vivem solitários e são muito difíceis de observar no seu habitat natural devido à sua camuflagem e comportamento esquivo.

Segundo a IUCN esta espécie encontra-se quase ameaçada de extinção pela caça, e destruição de habitat. O Jardim Zoológico participa no programa europeu de reprodução desta espécie (EEP) e já contribuiu com 2 crias.

Já ouviste falar em convergência evolutiva?

Quando seres vivos que não têm um ancestral comum desenvolvem independentemente características semelhantes diz-se que tiveram uma evolução convergente. Mas como é que isso acontece? A seleção natural favorece as mutações que originam adaptações morfológicas, fisiológicas e comportamentais mais adequadas para um determinado ambiente.
As características que resultam deste tipo de evolução são designadas por estruturas análogas, isto é, têm origem embrionária e estrutura anatómica diferentes, mas possuem forma e/ou função semelhantes.

Vejamos o exemplo da forma corporal do golfinho, do tubarão e da tartaruga-marinha. Todos partilham o mesmo habitat, no qual se deslocam através da natação auxiliada pela presença de barbatanas e corpo hidrodinâmico, contudo não tiveram o mesmo ancestral e pertencem a classes diferentes: o golfinho à Classe Mammalia, o Tubarão à Classe Chondrichthyes e a Tartaruga-marinha à Classe Reptilia. 
Também bastante conhecido é o caso das asas das aves (Classe Aves), dos morcegos (Classe Mammalia) e dos insetos (Classe Insecta). Mais uma vez estes animais não apresentam ligações filogenéticas próximas, porém estruturas diferentes sofreram modificações facultando-lhes a capacidade de voar. Ressalva-se no entanto que as asas das aves e dos morcegos são funcionalmente convergentes mas não anatomicamente, pois ambas retiveram o mesmo padrão esquelético dos dedos.Conheces as cecílias ou cobras-cegas? Apesar de terem o nome de “cobras” não são aparentadas com as serpentes (Classe Reptilia), pois as cecílias pertencem à Classe Amphibia. A terminologia está sim relacionada com o facto de serem morfologicamente muito semelhantes, pois ambos os animais perderam as pernas de forma convergente.
Nas plantas também existem vários exemplos deste fenómeno, como o dos espinhos da laranjeira e dos acúleos da roseira. Estes surgiram de modo independente ao longo da evolução, mas ambas as estruturas protegem a planta contra a herbivoria.

Existem muitos outros casos de convergência evolutiva… se quiseres saber mais sobre este assunto podes por exemplo consultar o Map of Life - Convergent Evolution Online disponível em http://www.mapoflife.org/index/.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Comércio ilegal de espécies

O comércio ilegal de espécies é uma ameaça a muitas espécies do nosso planeta e também o 2º negócio ilegal com mais dinheiro envolvido.
A definição de comércio ilegal de espécies não se prende apenas às espécies exóticas para animais de companhia, mas sim a qualquer crime contra a natureza que envolva a venda de espécies exóticas e/ou partes das mesmas, estando por isso nesta definição para além das espécies de companhia, como algumas aves, também alguns produtos de medicina alternativa e ornamentos como malas feitas com peles de répteis, pulseiras feitas de marfim e até mesmo cinzeiros feitos com mãos de gorilas.
O combate a este tipo de comércio é difícil não só pela pouca preocupação dos países desenvolvidos, mas também porque os países exportadores  apresentam uma grande instabilidade política e populações a viverem em condições de pobreza extrema. Muitas vezes não se sabe a verdadeira origem destes produtos, uma vez que existem grupos organizados a utilizarem vias indiretas para fazerem chegar os produtos ao destino final.
Contudo cada um de nós tem nas mãos a possibilidade de fazer a diferença, caso se sentir tentado a comprar um animal exótico para animal de companhia não se esqueça de pedir ao vendedor o certificado CITES que garante que o animal que lhe estão a vender foi criado sob-cuidados humanos e não foi retirado do seu habitat, e no caso de querer comprar algum ornamento feito com alguma parte de um animal pense outra vez e veja se vale a pena contribuir para a destruição da natureza.

Imagem retirada e traduzida de: WWF/Dalberg. (2012). Fighting Illicit Wildlife Trfficking (p. 32). Gland, Switzerland: WWF International.

Evolução dos Ursos – Parte 2: No tempo do maior mamífero carnívoro terrestre


Outra subfamília a que Ursavus (ver Parte 1) poderá ter dado origem é Tremarctina e que, embora tenha existido na América do Norte e na Ásia, neste momento existe apenas na América do Sul, representada por uma única espécie - Tremarctos ornatus (urso-de-lunetas). A principal característica distintiva desta espécies são as rosetas claras à volta dos olhos sobre um pelo, normalmente, negro. Ocupa uma grande variedade de habitats, de floresta a savanas e a várias altitudes, é um bom trepador, e tem uma dieta maioritariamente herbívora.
Da mesma subfamília, o já extinto Arctodus simus (urso-de-cara-achatada) é considerado por alguns cientistas o maior mamífero carnívoro terrestre conhecido. Tinha pernas bastante longas (podia chegar aos 2m até ao ombro) que lhe permitiriam perseguir as presas a grande velocidade, apesar dos seus mais de 600kg. As mandíbulas largas e curtas demonstram uma convergência com os grandes felinos. Predava grandes mamíferos do Pleistoceno: bisontes, veados e preguiças.
A. simus conviveu e competiu com Ursus americanus (urso-negro-americano) e Ursus arctos (urso-
-pardo), mas outro grande competidor por presas poderá ter sido o Homem. A extinção do A. simus pode estar associada à extinção de grandes mamíferos, suas presas, devido à caça excessiva ou a alterações climáticas, que levaram a modificações significativas na diversidade de habitats.
A evolução da subfamília Ursinae está bem documentada, com um vasto registo fóssil, nos últimos 5Ma, com o início do Pleistoceno. No final do Mioceno, as condições secas e áridas, até desérticas, da Europa, não foram propícias ao desenvolvimento dos ursos.